MTB Ultramaratona - um tributo à parceria

Posted: segunda-feira, 7 de novembro de 2011 by Claudia Uilza in
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06/11/2011 16:34
Weimar Pettengill
we@desbrava.com

O raciocínio que fundamenta a regra é simples: o percurso de uma ultramaratona de moutain bike, além de técnico, sinuoso e ermo, proporciona ao atleta, durante boa parte do dia, a solidão. E quando bate o cansaço físico, ou mesmo psicológico, a chance de cometer erros aumenta, assim como a margem de acidentes. Além disso, sempre ficamos com aquela ponta de competitividade que nos implora: solte o freio!

Assim, todas as edições de ultramaratonas que existem no mundo compartilham um mesmo princípio: a realização em duplas. Aos olhos da organização, não existe mais solidão. Em caso de acidente, resta um para fazer a primeira avaliação, solicitar resgate e aguardar fazendo companhia. Além, claro, do contrapeso fundamental para recobrar o juízo quando alguém se excede.

Mas, para os participantes, esse pode ser o princípio do fim. Se pedalar 100km em um dia é difícil, imagine fazer isso durante uma semana, com até 12h de duração de uma etapa, em território desconhecido, obrigado a permanecer junto de outra pessoa.

O nível de estresse é alto, e generalizado. Neste momento, o que deveria ser ajuda passa a ser “o problema”. Vi duplas digladiando-se no Brasil Ride. Discussões, humor azedo, raiva até. Chegamos ao ápice de um integrante simplesmente ir embora da Bahia, no quarto dia de prova, abandonando o companheiro.

Enquanto esse cenário se desenvolvia, intenso, cheguei a sugerir ao meu parceiro: “Melhor arrumar um motivo para brigarmos. Acho que somente nós estamos errados!”. Mas em sete dias intensos de grande desgaste físico e psicológico, posso atestar que a minha camisa e a medalha de finisher devem honras a um termo que jamais será esquecido: meu Parceiro. Assim, com letra maiúscula. Pelos momentos de compreensão, de apoio, de ajuda física até. Pela responsabilidade e zelo nas descidas técnicas, e pelo bom humor nas horas críticas.

Como digo sempre, não é necessário procurar muito para encontrar o lado pesado da vida. Mas para uma ultramaratona, a relação deve ser leve tanto para bicicleta como para os momentos de convivência.

Portanto, fica a dica: trate de construir, desde já, a parceria ideal. Tenho recebido inúmeros telefonemas e e-mails de interessados em participar da edição 2012 do Brasil Ride. Estou convencido de que Brasília terá inúmeros representantes na próxima, saudando os títulos de Abraão Azevedo, Josemberg “Montoya” Pinho com seu parceiro Raphael “Catalão” Mendes, Heleno Borges e Giovane Rufino, além de tantas outras camisas de finisher, que serão utilizadas como manto sagrado no pelotão e nas trilhas do cerrado.

Weimar Pettengill escreve aos domingos no Super Esportes

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